terça-feira, 19 de maio de 2009

Vila Gondra - Como tudo começou

Patrício Faísca (co-realizador de “Vila Gondra”) era ainda um miúdo de 10 anos quando pegou pela primeira vez numa câmara e começou a criar os seus próprios blockbusters – na altura, dramas épicos interpretados por bonecos de Lego, de entre os quais se destaca o clássico Titanic, filmado numa cisterna com um modelo que ele próprio construiu.

De início apenas um hobbie engraçado que dividia com os amigos mais próximos, esta brincadeira de fazer filmes rapidamente se tornou num fenómeno que gerou grande entusiasmo entre a rapaziada da vila de Almancil, quando as suas produções com sequências de luta, tiros e perseguições foram enviadas e exibidas no programa “Curtas”, da Sic Radical. Cada vez mais gente queria participar nos filmes que, tendo em conta as limitações de se ser um adolescente sem fundos, se tornavam cada vez mais ousados e arrojados.

Conheci-o quando tínhamos os dois cerca de 15 anos e fui convidado por amigos mútuos a participar como figurante numa das suas produções. Fiquei desde logo impressionado com a forma como ele conseguira mobilizar meios materiais e humanos, como se empenhava e levava a sério aquilo que fazia. Se para os outros aquilo era apenas uma maneira divertida de passar os tempos livres, para ele era uma paixão à qual se dedicava de corpo e alma. Rapidamente me deixei contagiar pelo desafio da realização. Como sempre gostei muito de escrever, passei a ser o argumentista dos filmes do Patrício e a acompanhar de perto a realização das suas produções.

Os anos passaram e eu entrei para a Universidade, tendo de me mudar para Lisboa. A minha disponibilidade para fazer filmes desapareceu. O Patrício ainda continuou durante uns tempos, mas a verdade é que tínhamos deixado de ser miúdos sem preocupações e com montes de tempo livre. Ele nunca acreditou que poderia fazer do cinema uma carreira e por isso não a perseguiu. Chegou uma altura em que decidiu que não era produtivo continuar a investir tanto tempo e dinheiro num hobbie que nunca passaria disso e por isso parou. E parado esteve durante mais de dois anos.

Este ano lectivo interrompi os meus estudos universitários para vir trabalhar para o Algarve. Voltei a encontrar-me com o Patrício e tentei entusiasmá-lo com a ideia de voltarmos a fazer um filme juntos. A casa do meu avô, isolada no meio de um pinhal, estava vazia, e achei-a um cenário óptimo para trabalhar. Escrevi um argumento e depois das ideias estarem bem definidas não foi difícil arranjar gente que quisesse participar.

Um dia estava a mostrar a um amigo algumas músicas que tinha arranjado para usar no filme. Ele voltou-se para mim e disse-me: “Olha lá, tu até dás uns toques no piano, porque é que não fazes tu a música do filme?”. Na altura a ideia pareceu-me inconcebível. Depois, apercebi-me que ter uma banda sonora original traria bastante valor ao projecto. Sentei-me ao piano e comecei a inventar. Não estava muito confiante, nunca tive aulas de piano, a música sempre foi para mim apenas um hobbie, mas o desafio cativou-me e fiz o melhor que consegui tendo em conta o pouco tempo disponível.

”Vila Gondra” é o resultado final de 3 meses de grande empenho e sacrifício pessoal de um grupo de amadores do Algarve que acreditaram em tentar, com uma única pequena câmara e sem qualquer formação ou financiamento externo, criar um filme inteiramente original de raiz, desde o argumento à banda sonora.

Mistério. Drama. Horror.

Foram estes os ingredientes que quisemos impregnar neste projecto que temos agora o prazer de apresentar.

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